Não vem, que não tem

Nos últimos 7 anos, a vida mudou bastante.

Hoje é muito boa, não dá pra negar. Mas já foi bem diferente.

Neste curto período, deu tempo de muita coisa ruim acontecer. De fazer más escolhas, trabalhar dia e noite, e acabar caindo com a testa no chão do escritório, com a pressão arterial passando de 22. Deu tempo de achar que eu ia morrer, aliás, mais de uma vez.

Deu tempo de ter 7 crises dessas, e fazer 7 visitas a hospitais lotados, na filinha do SUS, de dia ou à noite. E de poder contar nos dedos de uma só mão do Mickey, quantas visitas recebi.

E deu tempo de mais uma visitinha ao hospital, com uma semana de internação - sem nem saber qual era a doença. Deu tempo de pensar mais uma vez que, ali sim, chegaria a minha hora.

Deu tempo de falir. De ficar com mais de 100 mil reais em dívidas, de receber ligações dia e noite, cheias de ameaças, e de pensar várias vezes que seria melhor dar um fim na vida, pra parar de sofrer. É… deu tempo de ter alguns pensamentos que eu não me orgulho em nada.

Deu tempo de desacreditar em tudo. Deu tempo de perceber que eu tinha uma casa cheia de amigos e parentes quando a conta no banco estava positiva - e que quase todos eles sumiram quando o dinheiro também sumiu.

Deu tempo de errar, outras tantas vezes. De ter que dizer “sim” pra diversos idiotas, pra poder botar comida na mesa. E tempo mais que suficiente pra ver as pessoas que eu mais amo sofrendo - também por minha causa.

Deu tempo de se passarem vários dias, semanas e meses, sem nem sequer um “tá tudo bem aí?”.

De levar golpes, acreditar em vigaristas e ter que pagar o preço por isso.

Tempo que também serviu pra endurecer. Pra, mais uma vez, abaixar a cabeça e trabalhar, dia e noite, só pra poder voltar à estaca zero. Trabalhar dia e noite, mas também tirando um tempinho pra chorar sozinho, nas horas vagas, por estar trabalhando tanto a ponto de nem poder acompanhar meu filho crescer.

Deu tempo de muita lágrima rolar.

Deu tempo de enxergar quem é “de verdade” também. E de me certificar que essas pessoas saibam disso, com atitudes e palavras, e de criar laços mais fortes com elas.

Deu tempo de me livrar de quem era um peso, uma carga na vida. Esses que eu chamo de “idiotas”. Deu tempo de sorrir aliviado em vê-los partirem da minha vida. E tempo de aprender que, quanto menos tempo eu preciso passar com os idiotas, mais rico e feliz eu me sinto.

E deu tempo de me tornar uma versão de mim que eu gosto cada vez mais.

Feliz.

Em paz.

Ainda não deu tempo, no entanto, de afastar tudo o que eu não quero por perto. Principalmente pessoas.

Aquelas que já me conheciam antes destes 7 anos, mas que fizeram questão de não fazer parte da minha vida. Que tinham coisas mais importantes a fazer. Que fingiram não me ver na rua, que falaram pelas costas.

Pessoas que sabiam muito bem meu endereço e telefone, mas nunca se incomodaram em dar um bom dia.

Essa gente que, agora, vendo minha vida melhorar (geralmente por redes sociais), resolve aparecer, ser amiga. E o pior: pedir. Agora, apela para um coração mole. Apelam para a “boa e velha amizade”, ou para os laços familiares.

Agora querem visitar, provar minha comida, ganhar meu abraço. “Sempre torceram” por mim, não é?

E que serão os primeiros a achar que estou sendo ruim e rancoroso, quando receberem o tratamento que merecem, da minha parte.

Saibam: eu só não consegui me afastar dessas pessoas AINDA. Por enquanto.

Mas vou, assim que descobrir como.


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Vocês, que ainda “sobraram” pra urubuzar minha vida. Que andam ressurgindo do limbo, querendo se aproveitar de algo vindo de mim.

De vocês, distância.

Mais um tapa do Seth Godin (e esse doeu)

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Baseado no tempo em que a gente gasta se admirando no espelho, dando um trato nas nossas redes sociais, aquela finalizada na capa do nosso livro... dá pra se pensar que existe uma correlação entre as últimas horinhas gastas com embelezamento do nosso trabalho e os resultados que a gente tem dele.

Tem que ter... afinal, a gente gasta mais tempo se preocupando com a capa do que escrevendo o livro, mais energia respondendo aos haters do que servindo nossos melhores seguidores, mais dinheiro em base, corretivo e blush do que em comida saudável.

Mas é claro que, lendo isso, você percebe que a verdade não é essa.

Você não vai conseguir lembrar de ninguém que você começou a seguir porque a armação dos óculos dela estava em harmonia com o formato do rosto. Também não vai lembrar do último livro que você amou só porque a tipografia da capa era perfeita.

seth godin engraving.jpg

Pro polimento final, 80% do trabalho já deve ser mais que o suficiente.

Acima disso, o trabalho tá sendo só por nós mesmos, e não por aqueles que nós procuramos servir.

(Traduzido do texto do Seth Godin, que vive me esbofeteando na cara)

Ari, o grande.

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Aristóteles, aquele lá da Grécia, há mais de 2.300 anos, dizia que:

“o homem adquire virtude pela repetição dos hábitos”.

Grande cara, esse Ari.

Já parou pra pensar sobre o que ele estava falando? Pensa aí.

Seu caráter é definido pelos seus valores. E seus valores são resultado do seu comportamento.

Por exemplo: se o seu comportamento é sempre dizer a verdade, você adquire a verdade como um valor. E aí, você se torna uma pessoa honesta (caráter).

Não dá pra inverter isso, né? Você começa dizendo pra si mesmo (e para os outros) que é honesto, e aí, um dia, começa a enxergar a verdade como um valor. E depois disso, como mágica, você para de dizer as mentirinhas e começa a falar a verdade.

Não dá.

Comportamento sempre vem primeiro, mesmo que ele ande na contramão do caráter.

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O Ari concordava comigo (haha). Ele dizia que não existe a tal “virtude inata”. Aquele ser humano que simplesmente “nasce iluminado”, que já é virtuoso desde o berço.

Pra ele (e pra mim), o caráter é construído pela repetição dos atos. Os atos geram hábitos (que ele chamava de “costumes”), e os hábitos viram virtudes. As “virtudes de caráter” são desenvolvidas pela educação, prática e hábito.

Curioso, né?

Educação, prática e hábito.

Você aprende algo, lendo um livro, vendo um vídeo ou fazendo um curso.

Você coloca o conhecimento em prática, testando aquilo que aprendeu, falhando, começando de novo, testando.

Você repete a prática com consistência, todo santo dia, sem dar desculpas, até que aquilo vire parte de você.

Basicamente, são só essas 3 coisas que separam quem você é hoje de quem você quer ser.

Não é uma fórmula mágica, é um processo repetitivo, cansativo e, muitas vezes, bem chato, esse de mudar. Mas é o jeitinho que funciona desde 300 a.C. - provavelmente vai funcionar pra você também.



- - 


E ainda sobre o Ari… ele dizia uma outra coisa, bem bacana:

“das virtudes não se deve desviar nem por defeito, nem por excesso, pois a virtude consiste na justa medida: longe dos dois extremos”.


O Ari sabia das coisas.

Eu quero!

"Eu quero"

Faz uns anos que eu ouço essa frase, quase todos os dias.

Quem acredita no lado mais místico das coisas diz que essa frase tem poder. Que o universo conspira a seu favor quando você usa o "eu quero", em voz alta. Mas o que eu mais vejo, logo depois dessa frase, é a inatividade.

Quando eu estava no Organizze, todos os dias eu recebia e-mails de usuários dizendo "eu quero mudar minha vida financeira, tô cansado de trabalhar e nunca ter dinheiro".

Literalmente, todos os dias. Milhares e milhares de lindos "eu quero", que depois são completados com:

"não deu tempo"
"quem sabe na próxima"
"sabe o que é? é que..."

A gente estava falando de algo simples: baixar um aplicativo GRÁTIS e anotar nele tudo o que você ganha e gasta. E mesmo assim, depois de dois ou três meses (ou dias), vinha a chuva de desculpas.

O "eu quero" dessas pessoas, na real, é só um "vou dizer que quero pra não sair mal na foto, mas eu prefiro deixar minha vida do jeito que está, mesmo eu achando uma merda".

Eu saí do Organizze com uma meta bem clara: educar financeiramente o maior número de pessoas que eu conseguir. E o meu canal do YouTube serve pra isso. E o blog. As palestras, eventos. E o curso Grana is Cool.

É o meu "eu quero" virando realidade.

 

E o seu?

Quanto custa o outfit DOS HATERS?

E essa tendência (parece que é moda, né?) de nos definirmos baseados no que odiamos?? Faz um teste, abre a sua timeline aí, da sua rede social favorita. Tem mais posts falando das coisas que você ama ou das que você odeia?
Desgostar faz parte. Odiar, talvez. Mas pensa aí, se não seria legal, só pra variar, aproveitar seus dias pra mostrar ao mundo as coisas que te agradam, que te fazem bem, seus sucessos e os sucessos de quem você gosta?

 

O trecho acima é um post feito no meu Facebook, do ano passado. E a ideia para ele surgiu de uma observação muito fácil de se fazer - e você mesmo pode replicar o teste, agora mesmo:

Abra sua rede social favorita e comece a rolar a página. E vá contando 100 publicações, ignorando os anúncios que aparecerem.
Destas 100 publicações, quantas são reclamações, xingamentos, repúdias ou qualquer tipo de texto, vídeo ou imagem contrário a algo?
E quantas são publicações positivas, exaltando algo que o autor se identifique ou goste?

Pois bem. Você entendeu meu ponto.

Não, não estou dizendo que devemos fingir que a vida é um mar de rosas, e que não há nada a reclamar neste mundo. Muito pelo contrário, todos sabemos de quantas coisas não andam bem da forma que nós gostaríamos, não é?

Se formos buscar na filosofia, na psicologia, na religião, no esoterismo e até em áreas da física, química e medicina, existe uma quase-unanimidade a respeito dos benefícios do pensamento positivo (motivador, causador de alegria), e dos malefícios de pensamentos negativos (destrutivos, condescendentes). Mas eu não vou entrar em nenhum destes méritos.

Meu conselho de hoje é uma simples questão prática. Real. Uma abordagem direta, na tentativa de te fazer enxergar que pensar negativamente não compensa. Escrever, menos ainda.

Vamos aos fatos:

 

Com vocês, Rebecca Black.

It's friday, friday...

It's friday, friday...

Talvez você se lembre, talvez não, mas esta menina, Rebecca, lá no remoto passado de 2011, foi um “fenômeno da internet” (na falta de um termo melhor).
Aos 13 anos, Rebecca ganhou de sua mãe a produção de um clipe, de uma música chamada “Friday”.

Era a realização do sonho da menina, ter uma música gravada, um clipe com seus amigos… coisa de adolescente, né? ;)

O clipe foi lançado em 11 de Fevereiro 2011, e no primeiro mês teve pouco mais de mil visualizações no YouTube - os amigos e contatos da Rebecca, provavelmente.
Mas logo depois, ele quebrou um recorde. E outro recorde. E mais um.. um atrás do outro.

Em 11 de março, um mês depois, alguém que assistiu o clipe e não gostou.
Sei lá se foi pela composição sem muito sentido, pela produção barata, o pelo excesso de auto-tune, e resolveu postar sua indignação em um canal de piadas.

Mais gente não curtiu, e começou a compartilhar o vídeo, tirando sarro das mais variadas formas. Paródias começaram a ser feitas, e o vídeo quebrou o recorde em “não gostei” do YouTube.

De uma semana pra outra, Friday virou “o vídeo mais odiado da história”, com mais de dois milhões de “dislikes”, em suas mais de 114 milhões de visualizações (não perca de vista que o clipe era apenas o inocente presente de aniversário de uma menina de 13 anos, ok?).

Hoje, em 2018, Rebecca está com 21 anos.

E você deve imaginar que o episódio foi um grande trauma na vida da menina, certo? Provavelmente ela ainda não se recuperou do tamanho cyber-bullying e da vergonha por todo o episódio.

Só que não.

Duas semanas depois da explosão de haters, a música recebia resenhas de publicações importantíssimas, como a Rolling Stone, e um mês depois foi disponibilizado para venda no iTunes, com mais de 40.000 cópias vendidas na primeira semana - o que rendeu à Rebecca mais ou menos uns 27 mil dólares, e continuou rendendo algo em torno disso, semana após semana, por mais de um ano.

VINTE E SETE MIL DÓLARES POR SEMANA

(por esse preço, pode me odiar a vontade)

Hoje, Rebecca já participou de programas da TV americana, como atriz. Foi entrevistada mais de uma vez pela própria Rolling Stone, participou do clipe da Katy Perry, lançou disco, e é uma YouTuber com mais de 1 milhão de inscritos em seu canal.

 

Rebecca, aos 21, antes de ir pra cerimônia do Billboard Music Awards

Rebecca, aos 21, antes de ir pra cerimônia do Billboard Music Awards

Segundo ela mesma: “estou vivendo meu sonho”.

 

O tiro saiu pela culatra

Sabe quem realizou o sonho de Rebecca? Adivinha quem??
Todos aqueles que não gostaram do seu clipe. Que puseram força e energia para expôr “tamanho ridículo”, dizendo que a menina não sabia cantar, atuar, ou seja lá do que reclamavam.

Quer um exemplo? Dá uma olhada nestas “10 razões para odiar Rebecca Black”: https://www.thetoptens.com/reasons-hate-rebecca-black/

E isso acontece todo dia.

Se você conhece um rapazinho chamado “Justin Bieber”, pode procurar pela história dele, e vai ver que grande parte do sucesso de seu primeiro single vem justamente de quem não gostava dele (9 milhões de “não gostei”).

Quase dois bilhões de pessoas viram este vídeo. E tudo começou com os que odiaram...

Quase dois bilhões de pessoas viram este vídeo. E tudo começou com os que odiaram...

 

Quer outro exemplo? Um tal de “Donald Trump”, que resolveu se candidatar à presidência do país mais poderoso do mundo, e virou alvo de chacotas por parte da mídia, apresentadores, atores e atrizes. E parece que o jogo virou, não é, queridinha?

Aliás, o próximo presidente do Brasil pode ser eleito por culpa de quem o odeia, sabia??

Entende onde eu quero chegar?

Propagar sua raiva, indignação ou seu desgosto por algo simplesmente NÃO ADIANTA NADA.

Aliás, adianta, sim. Você vai ajudar mais alguém a ter contato com aquilo que você não gosta, e correr o risco de gostar, passar a amar, e mostrar para mais 100 pessoas que vão, igualmente, amar. Vai adiantar muito.

Quer um exemplo local? Brazuca? Eu deixo este vídeo pra você assistir: http://bit.ly/outfithaters

Com certeza você ficou sabendo do vídeo “Quanto custa o Outfit", né?.

Me conta aí: foi por alguém que gostou do vídeo ou por alguém que odiou?

Entendeu meu ponto, né?

Que tal, então, você começar a propagar aquilo que você ama, e simplesmente ignorar o que odeia?

Ciência à parte… é só uma questão de lógica.

Um abraço!

Por quê eu nunca tenho grana?

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Você estuda, trabalha, doa seu tempo e sua dedicação. É uma pessoa esforçada, acorda cedo, se concentra no trabalho, é legal com os colegas da empresa… mas, quando chega na metade do mês, a conta tá no ZERO. Todo mês.

TODO

SANTO

MÊS

Já aconteceu de você pensar que trabalhar é inútil? Porque você trabalha, trabalha, trabalha e nunca tem grana. Não é?

Sabe por quê você não tem grana?

Porque você faz merda.

Simples assim.

Desculpa ser eu a ter que te dizer isso, mas não dá pra aliviar. A culpa é toda sua.

Assim como melhorar seu relacionamento com o dinheiro, fazer ele SOBRAR e RENDER, também pode ser culpa sua! De que lado você quer ficar?

O primeiro passo é identificar as merdas que você anda fazendo por aí. E eu tenho certeza que, se você está na pior, uma delas (ou todas!) você faz:

 

MERDA #1: Você não sabe quanto ganha e/ou quanto gasta

Faz um teste com seus amigos. Pergunta quanto eles ganham.

A maioria vai responder um valor redondo.

Aí, você pergunta de novo: Mas é isso mesmo? Este é o valor que entra na sua conta todo mês??

E a resposta muda rapidinho pra: éééé... mais ou menos, tem uns descontos ali, dá um pouco menos, mas é praticamente isso.

E você? Sabe quanto ganha, ou também responderia "mais ou menos X reais?"

Se você não sabe quanto GANHA, quem dirá quanto GASTA, né?

Você já viu alguma coisa custar “mais ou menos 10 reais” no mercado? Ou, a gasolina custar “mais ou menos 4 reais”? ACORDA! A única pessoa que fica nessa de "mais ou menos" é VOCÊ.

DINHEIRO É NÚMERO. É EXATO.

Não dá pra você ser cobrado em valores exatos e ficar nessa de “mais ou menos”. Você tem que saber EXATAMENTE quanto ganha e quanto gasta.

Como se resolve isso?

ANOTA! ANOTA TUDO: gastos fixos, despesas do dia a dia, quanto você recebe (com descontos e tudo mais) e até as taxas que seu banco cobra (SIM!).

Se você é daqueles que sempre tem uma boa desculpa pra não anotar, eu tenho outra dica boa: PARE DE DAR DESCULPAS.

Anotar é simples. Só precisa de papel e lápis pra começar (pode ser a folha daquela agenda de 2015 que você ainda deixa em cima da mesa). Divide a folha ao meio, de um lado você anota tudo o que GANHA, e do outro lado tudo que GASTA.

Uma folha dessas por mês, já vai fazer MILAGRE na sua vida.

Papel parece trabalhoso pra você? Que tal uma planilha? Uma bem simples (sempre comece pelo simples!). No final desse post, eu vou deixar tem um modelo perfeito pra você começar!

E por quê começar pelo simples? Porque FUNCIONA. Não cai nessa de baixar uma planilha gigantesca, com 3000 células, 36 categorias… começa pelo básico!

Depois, com o tempo, você vai melhorando e criando algo pro seu estilo de vida.

"É ruim ficar carregando papel por aí, meu computador quebrou, não sei usar planilhas… " - mais desculpinhas?

Beleza! Que tal fazer no celular? E não adianta mentir nem pra mim, nem pra você mesmo, você tá com o celular o tempo todo!

Baixa um aplicativo de finanças. Pronto! Tem vários legais por aí. Ache um que pareça fácil de usar, e vai sem medo. MANTENHA A COISA SIMPLES: anota tudo o que você ganha (receitas) e tudo o que você gasta (despesas). Só. Ponto. Feito!

 

MERDA #2: Você não sabe o que quer da vida

Você gosta de dinheiro? Você quer dinheiro? QUANTO?

Se você respondeu: "muito", "um monte", "o suficiente", ou qualquer coisa que não seja um NÚMERO, você está errado!

Mais uma vez: dinheiro é número. "Um monte" não é um número.

Tenha em mente QUANTO você quer. Não importa se é 10 mil, 100 mil ou 1 milhão: tenha um número.

Quais são as coisas que você PRECISA pra viver?

Quais as coisas que você QUER comprar?

Tudo isso tem um preço. Quando você sabe os números, sabe o que fazer em seguida. Faça listas, tenha metas, olhe para objetivos. Saiba seus números.

Você não é o Zeca Pagodinho, não deixe a vida te levar (ba dun tss!) trabalhando todo dia, sem saber o porquê… você tá fazendo MERDA.
 

MERDA #3: Você gasta muito e ganha pouco

Promoção 2 em 1. Aqui está um novíssimo pacote de merdas que envolvem a sua relação com o dinheiro!

Você gasta muito: se não sobra dinheiro, é porque você está gastando MAIS do que ganha. Ponto.

De forma bem prática e numérica: do valor REAL de tudo o que você recebe (sem descontos, taxas e todo aquele blablabla), reserve 30%.

O valor restante (70%), tem que ser MAIOR do que seu custo mensal de vida.

Exemplo fácil: se você ganha R$2000 LÍQUIDO, você separa esses 30% (R$600) e fica com R$1400.

Aguenta essa: suas despesas mensais NÃO PODEM ULTRAPASSAR o valor de R$1400. Não podem!

Ai, mas como vou viver com tão pouco?

Independentemente de quanto você recebe por mês, você sempre vai achar que não dá. Mas tem gente que vive com menos. Então, dá sim.

Da mesma forma que existem pessoas que ganham muito mais e ainda assim, estão sempre enrolados.

O problema está em COMO e QUANTO você gasta, e não em quanto você ganha.

MAAAAS… se você já apertou os cintos, e ainda assim não tá sobrando, seu problema pode estar do outro lado: você ganha POUCO!

E aí, só existe uma solução: arrumar um jeito de ganhar mais!

Você pode negociar seu salário, trocar de emprego ou arrumar uma renda extra. Não conheço outras formas.. e acho que loteria não se aplica ao caso aqui, né?

Você precisa dar um jeito. DÁ TEU JEITO AÍ, guarda esses 30% e vive com o restante. Você PRECISA.

Falando nos 30%, não precisa chorar por eles, porque eles não são seus. Ou melhor, eles são do seu "eu" do futuro. Não é pra você torrar hoje.

Gastar 100% do que você ganha é fazer uma merda bem grande! A maior.

 

Você está fazendo a MERDA #4 : A pior de todas - Você não tem reserva!

Essa é a merda que você precisa limpar IMEDIATAMENTE e não fazer mais. Nunca mais!

Você precisa ter uma reserva.

Vou repetir, em maiúsculas: VOCÊ PRECISA TER UMA RESERVA.

Tem que ter um dinheiro guardado, POR FAVOR. Porque a vida não é um mar de rosas - você já deve ter percebido isso, né? - e problemas acontecem.

A maior causa de endividamento hoje em dia vem da falta de reserva de emergências. Acontece uma cagada, você tem o orçamento apertado, nada sobrando… e precisa se endividar pra resolver. Se antes você vivia com 100% do salário, o problema vira uma bola de neve e você nunca mais sai dessa - ou sai, com sorte*.

*limpando as merdas todas e mudando sua relação com o dinheiro, como eu fiz.

Lembra dos saudosos 30%? Você guarda esse pedacinho de tudo que você ganhar, até ter o suficiente para cobrir qualquer emergência da sua vida. Se você tiver que passar 6 meses sem trabalhar, tudo bem, porque você tem essa grana guardada, entende?

Todo mês, separe 30%. O legal é reunir o suficiente pra bancar seu estilo de vida por 6 meses, no mínimo. Um ano é o ideal (anotando tudo, você descobriu quanto gasta por mês, e pode começar sua reserva! Legal, né?)

E o que acontece depois de você ter essa reserva?

Você CONTINUA separando esses 30% para INVESTIR, fazer o seu dinheiro trabalhar pra você.

E aí você vai precisar trabalhar cada vez menos, até chegar num ponto onde talvez nem precise mais trabalhar, e seu custo de vida tá garantido, sendo pago pelos seus rendimentos, todo mês.

Já pensou nisso? Parece bacana pra você?

Então, PARE DE FAZER MERDA!

É hora de pensar na relação com o seu rico dinheirinho. Agora.

Conhece alguém que também faz todas essas merdas?

Então compartilha este post, marca a pessoa nos comentários, claro, com todo o carinho do mundo. Quem sabe ela leva uma sacudida e acorda, né?

Pra te ajudar um pouco mais, eu preparei umas coisinhas:

  • um TEMPLATE de registro financeiro, pra você imprimir e anotar tudo
  • uma PLANILHA já preparada pra você sair anotando, sem perder tempo
  • um VÍDEO, pra ter mais uma sacudida e quem sabe, te inspirar a mudar de vida, já!
  • quer ver outro vídeo sobre esse a$$unto? CLIQUE AQUI

Ainda tá achando que você não tem dinheiro por culpa do Governo, da sua família, do ET Bilu?

A culpa é sua. E a responsabilidade de mudar também é SUA! MUDA AÍ!

Esse post doeu? Ler tudo isso foi um tapa na sua cara? ÓTIMO! Era justamente o que eu queria.  

Começa essa mudança HOJE! AGORA! E não para mais.

Abração! :)


Conheça o Grana is Cool, uma escola de finanças SEM FRESCURA!

Para saber quando os Grana is Cool estará perto de você, acompanhe AQUI.  

Quer me acompanhar e saber mais sobre hábitos, finanças e dicas para uma vida melhor? Conheça o meu canal no Youtube!

A economia que eu tanto amo

(como funciona a economia, do local ao global)

Te apresento a Mariana.

Mari, focada no job.

Mari, focada no job.

Mariana é designer freelancer em Florianópolis, SC.

Nos últimos meses, a Mariana vem recebendo o dobro de trabalhos. Ela aumentou seus preços, por causa da demanda, e mesmo assim ainda não dá conta de tudo que tem pra fazer. Tá desenhando 16 horas por dia (e muito feliz, pois agora tá trabalhando com o que ama, e ganhando um bom dinheirinho).

Ela vem recebendo muitos trabalhos, porque um dos seus clientes é a DeepWeber, uma empresa de desenvolvimento, também de Floripa.
Eles acabaram de receber um investimento da FundRaiser, um fundo de São Paulo. E com a grana, conseguem alavancar as vendas, e precisam de mais e mais gente trabalhando.

O escritório já tá cheio de gente, e eles partiram pra contratar trabalhos de designers freelancers, como a Mariana, pra dar conta de tanto trabalho.

O investimento da DeepWeber apareceu por causa de um estudo, feito por economistas, de que Santa Catarina é o primeiro estado em densidade de Startups no Brasil.
Este estudo inclusive foi divulgado por outros economistas famosos, fazendo o assunto ser comentado no Brasil inteiro.

Nem tudo neste post é ficção!

Nem tudo neste post é ficção!

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Isso chamou a atenção da FundRaiser, que veio até a cidade e encontrou bons negócios pra investir. Estes investidores arriscam seu próprio dinheiro, e colocam ele na Deepweber, pra fazê-la crescer, se tornando sócios do negócio. Se tudo certo e a empresa realmente crescer, eles participam dos lucros.

Com o crescimento da DeepWeber, mais alguns fenômenos acontecem: dois ex-funcionários, vendo uma nova oportunidade, viraram sócios e abriram sua própria startup. E eles vão precisar de mais funcionários, mais freelancers… e em breve podem ir atrás de um investimento, e recomeçar esta história.

Paralelamente, outras empresas também começam a surgir, justamente pra atender a demanda que a DeepWeber vem criando - eles precisam de treinamento, advogados, consultores, contadores, programadores, designers, manutenção e limpeza, comida, café, entregas… todos vão acabar tendo um aumento de trabalho (e vendas, claro), por causa do crescimento.

E eles não são os únicos. Mais investimentos vêm chegando.

A cidade vem ganhando novos eventos, como Startup Weekends e "summits" de todo o tipo, incentivando o mercado a crescer, gerar novos negócios e fazer crescer os que já existem.

E quem ganhou com tudo isso, no fim das contas??

A Valéria.

Não sabe quem é a Valéria? Ela é faxineira da casa da Mariana.

A Val manja T-U-D-O de limpeza

A Val manja T-U-D-O de limpeza

Com toda essa trabalheira, a Mariana não tem mais tempo pra cuidar da própria casa, e do próprio jardim. Mas tem dinheiro no bolso pra contratar pessoas que façam isso pra ela.

Enquanto você lê este post, a Mari fechou mais um job e tá feliz da vida!

Enquanto você lê este post, a Mari fechou mais um job e tá feliz da vida!

E a Valéria, trabalhando, compra mais nos mercadinhos do bairro dela, que compram mais no distribuidor, que encomenda mais das fábricas, que acabam encomendando mais matérias-primas.
Inclusive, na hora de transportar esse produto todo, acabam dando mais trabalho pra DeepWeber, que desenvolve justamente os softwares de carga usados pelas distribuidoras de alimentos.

Sem saber, a Valéria tá ajudando no crescimento da Mariana.

Falando em matérias primas: uma das coisas que a Valéria compra no mercadinho é presunto Sadia.

Aquele, cheiroso e rosadinho, sabe?

Se a Valéria consegue comprar mais presunto, porque agora ela tem mais uma cliente (a Mariana), isso é bom, no fim das contas, para a Sadia, né?
Como o mercado vem crescendo, em virtude das novas empresas e novos investimentos, várias  “Valérias” vão surgindo, com mais clientes e mais dinheiro no bolso.

E as vendas de presunto aumentam.

O supermercadista vê que o presunto tá vendendo mais, e aumenta o número de presuntos comprados a cada pedido. Isso se reflete lá no balanço da Sadia, que vê um aumento nas vendas.

Ajuda a movimentar a economia, com menos de 15 calorias por fatia!

Ajuda a movimentar a economia, com menos de 15 calorias por fatia!

E, por ser uma empresa de capital aberto, a BRF (empresa que é dona da marca Sadia) tem que publicar seu balanço, trimestralmente.

É aí que entra o Marcelo.

O Marcelo, de Cuiabá, tem um dinheiro e quer multiplicar o capital. Investir, sabe? E ele vai estudar várias empresas, pra saber qual tem mais possibilidade de crescer e valorizar o investimento dele.

E acaba encontrando justamente o balanço da Sadia (veja, que coisa!), que registrou um aumento de vendas nos últimos meses (lembra?).

Não é café. Marcelão só toma chá verde.

Não é café. Marcelão só toma chá verde.

Lendo um relatório econômico, o Marcelo descobre que a economia vem crescendo, com valorização constante das empresas de alimentos.

Ele entra no site de uma corretora, digita BRF3 (o código pra comprar ações da Sadia), e coloca seu dinheiro lá, comprando partes dessa empresa.
A compra do Marcelo não é a única, já que mais gente também vê o crescimento da Sadia, e compra ações também… o que faz o preço dela subir.

E se o mercado vê que o valor de uma companhia está subindo, a tendência é que mais pessoas acompanhem o movimento, comprando mais ações para terem lucro. Isso faz a Sadia crescer, de dois lados diferentes: de um lado porque aumentaram as vendas, do outro porque as pessoas estão a enxergando como uma empresa lucrativa.

E empresa lucrativa cresce. E contrata mais, pra poder vender mais. Contrata pessoas que vão pegar seu novo salário e gastar, fazendo esse dinheiro circular.

"Maldito capital especulativo”, né? Claro que não!

Sabe onde isso vai se refletir? No tal “Índice Bovespa”.

Chamado de IBOVESPA (criativo, né?), este índice nada mais é do que uma conta (matemática, mesmo), que leva em consideração várias empresas brasileiras.

E a Sadia (BRFS3) é uma delas: responde por 2,608% do IBOVESPA. Quando ela vai bem, influencia o índice a subir. Se ela vai mal, influencia na queda.

Legal, né??

Sabe quem mais pode influenciar no IBOVESPA?

  • As Lojas Renner, onde a Valéria compra roupas;

  • As Lojas Americanas, onde ela compra a TV nova pra ver a Copa do Mundo;

  • A Ambev, da cervejinha (seja ela Hoegaarden ou Antarctica Sub-Zero);

  • A Natura, do perfume e do sabonetinho;

  • A Droga Raia e a Drogasil, que vendem os remedinhos;

  • A TIM, que.. bom, você sabe o que faz a Tim;

  • A Braskem, que participa das embalagens e rótulos pra quase tudo que se tem em casa;

  • A Hypermarcas, que faz a camisinha Jontex, o algodão York e o shampoo Monange, que ela usa. E o desodorante Três Marchand, que o marido dela adora. Sem esquecer do Biotônico Fontoura que ela dá pro filho, e o Atroveran que ela toma pra cólica;

  • A JBS (meu Deus, até eles??) que faz a margarina Doriana, o sabão Minuano e o peru da Seara, que vão comprar para o Natal.

Quando estas empresas vão bem, o valor de mercado delas sobe, e isso faz o IBOVESPA subir. E, para estas empresas estarem crescendo, elas precisam estar vendendo mais, não é?

E assim, a roda gira.

A economia não é um animal selvagem sem rosto, tipo o Chupa Cabras. É só a soma de cada transação comercial feita, por cada ser humano que vive em sociedade.

Uma vez que você desmistifica isso, e tira essa máscara, vai ver que o assunto é mais simples do que você pensava (e menos assustador).

Te fizeram acreditar que estudar economia era coisa pra rico? É mentira!

Te fizeram acreditar que estudar economia era coisa pra rico? É mentira!


Eu poderia começar a história novamente, reescrevendo do ponto de vista de qualquer um dos personagens. Mas eu deixo pra você, que tá lendo. Experimenta!

Vou ajudar a começar. Pode ser assim:

"As ações BRFS3 subiram, o que refletiu num aumento do IBOVESPA. Isso aconteceu por causa de um aumento no consumo de presunto Sadia, que foi causado por… "

O resto é com você.

Um abraço!


Leandro Benincá


PS: Antes de comentar, tente entender as minúcias. Perceba que são exemplos para ilustrar uma explicação. ULTRA-didático e ULTRA-simplificado… tipo “economia para pré-escola”. Não seja idiota.

PS2: Este post é uma tentativa de explicar como a movimentação do índice Bovespa reflete a movimentação na vida de todas as pessoas economicamente ativas do Brasil, da forma mais simples e didática que eu possa imaginar.

PS3: O título é pura ironia.

PS4: E eu posso ter deixado escapar algumas doses de ironia e sarcasmo ao longo do texto... as vezes não consigo evitar.

PS5: Repito: não seja idiota.

Como ser simplesmente F#DA - A lógica da ameaça dupla

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Há alguns tempos eu tive contato com um conceito que revolucionou muito do que eu achava sobre “ser bom” e “ter sucesso”. E eu venho compartilhando este conceito em minhas palestras e eventos que eu participo, sempre que possível. 

Eu comecei a observar, depois de ter aprendido este conceito, que as pessoas mais bem sucedidas não são, necessariamente, aquelas que fazer parte do “um por cento”. Aqueles desvios da média, que são absolutamente brilhantes em UM ofício. 

Nossa tendência é achar que as pessoas mais brilhantes, aliás, são aquelas que possuem um tipo de super-poder supremo. Que Steve Jobs, Neymar, Silvio Santos ou Warren Buffett são o que são por serem especialistas magníficos em seus ofícios. Mas esta análise pode fazer você repensar nisso. 

Este conceito me foi apresentado por um dos meus autores favoritos, Scott Adams (o criador da famosa tirinha “Dilbert”), e depois acabei descobrindo que ele aprendeu este conceito com o famoso investidor Marc Andressen (e eu não faço ideia de onde o Andressen tirou isso). 

Marc Andressen

Marc Andressen

Scott Adams e Dilbert

Scott Adams e Dilbert

 

Pois bem, vamos ao conceito:

Uma ameaça fraca faz uma coisa, relativamente (ou até muito) bem.
Uma ameaça dupla faz duas coisas, relativamente bem. 
Uma ameaça tripla faz três coisas, relativamente bem. 

Sacou?? 

Andressen, aliás, diz que essa é a “fórmula para se tornar um CEO”. 

Um exemplo prático: muita gente faz MBA’s certo? O que significa que, se você é um bom administrador e tem um MBA, pode ser substituído por outro administrador com MBA (os seus colegas de turma, por exemplo). 

Entretanto, se você tem um MBA mas também sabe programar, parabéns! Você é uma ameaça dupla!

Sabe aquela pessoa da sua empresa que é carismática, formada em uma área, mas também manja de algumas outras coisas?
Pode ser o cara do marketing, que também edita uns vídeos e dá jeito no CSS do site da empresa, quando dá erro. 
Ou a menina do design, que é carismática como ninguém e ajuda a fechar negócios para o comercial, além de palestrar em nome da empresa. 

Pois estas pessoas são ameaças triplas! Como você substitui este tipo de profissional? Os conhecimentos em áreas diferentes fazem com que eles se tornem ambos: valiosos e interessantes. E mais difíceis de serem comparados.

Isso se reflete, inclusive, nas suas vidas pessoais. Ameaças duplas (ou triplas) acabam se tornando pessoas interessantes de se manter por perto, se tornam assunto nas conversas e acabam por receber os melhores convites para parcerias, trabalho, e até diversão. 

Mas entenda que se matricular em outra faculdade, para uma segunda graduação, nem sempre é o melhor caminho (geralmente, não é). Suas novas “ameaças” podem ser habilidades que você adquire em nível técnico, com cursos mais curtos, ou sendo auto-didata (a internet é repleta de cursos baratos e bons) ou, a melhor forma, praticando novas habilidades. 

Muitas vezes, conceitos que você aprendeu sem saber o motivo podem te ajudar muito, no futuro. Então nunca recuse-se a aprender algo novo.
Se quiser uma segunda opinião sobre isso, ouça a do Steve Jobs. No seu famoso discurso de formatura para a turma de Stanford de 2005, ele cita que, durante a faculdade, fez aulas de caligrafia, sem ter a menor ideia de como usar aquilo no futuro. E acabou por incorporar aqueles conceitos no design no Macintosh, anos depois, e é por conta disso que hoje podemos escolher fontes bonitas pra usar no computador. 

Outro exemplo, me permita, é o meu: Eu sou formado em administração de empresas com habilitação em marketing. Na minha turma de faculdade, vários seguiram o mesmo caminho. Administradores com ênfase em marketing. Todavia, as habilidades que me tornam único foram aquelas que eu aprendi fora das universidades:

Aos 16 anos, eu trabalhei de graça em uma empresa de serigrafia para aprender a “mexer no Corel Draw e no Photoshop”. Essa habilidade conquistada lá na adolescência - só pra citar uma - me abriu diversas portas durante toda a minha vida profissional. Desenvolver habilidades em design me ajudou a enxergar processos, a ter senso estético e, inclusive, a trabalhar com designers. Isso me dá uma segunda ameaça: um administrador que entende de design! 

Durante a minha vida, especialmente após a faculdade, eu me dediquei a aprender como falar melhor em público (ter sido professor de inglês ajudou muito nisso, também). Quando eu abri meu segundo negócio, uma agência de marketing online (numa época em que as empresas diziam “Ter página no Facebook? Pra quê???”), ter a habilidade de palestrar e convencer o público de que minhas ideias eram bons caminhos para suas empresas, me ajudou a fazer o negócio ter os primeiros clientes.
E acabou por se tornar a coisa que eu mais gosto de fazer, atualmente: palestrar. 
A terceira ameaça: um administrador, que entende de design e sabe falar bem em público. 

E, se você chegou até aqui, neste texto, pode estar se perguntando “e eu com isso?”, ou até achando que eu fiz este texto pra contar vantagem. 

Na verdade, eu escrevo para ajudar empreendedores a serem melhores pessoas e, por consequência, terem melhores empresas. E uso exemplos que aplico na minha própria vida, pra isso.
Mas, se for pra tirar vantagem, vamos à uma quarta ameaça: se você leu até aqui, significa que eu sou um administrador, que entende de design, fala bem em público e escreve de uma forma que você gostou de ler. Peguei você!

Mas, como eu disse, não era esta a intenção… não fique bravo(a) comigo. Eu tenho coisas boas pra você. 

Você também pode ser uma ameaça dupla! Tripla! Quádrupla! E isso não tem nada a ver com você perder o foco do seu trabalho atual ou da sua missão de vida - são novas habilidades que vão te ajudar justamente a andar melhor com a vida que você já tem hoje!

Seguindo o conselho do Warren Buffett (também uma ameaça dupla: entende muito de investimentos e é um excelente orador), eu acredito que você deva começar melhorando sua comunicação. 

Um cursinho de oratória é algo relativamente simples para a maioria das pessoas (a não ser que você seja patologicamente tímido, caso no qual eu recomendo a psicologia para te ajudar), você pode fazer pequenos cursos (inclusive online) e aprimorar essas habilidades, oferecendo palestras sobre a sua profissão para escolas e universidades, gratuitamente. 

E quem sabe, aprender, mesmo que em nível básico, conceitos de programação, design, marketing… com certeza tem algo que você pode se interessar, e duplicar o seu poder de ameaça.


Até semana que vem!

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Uma aula de consistência, resistência, resiliência e realização de sonhos, com Tim Ferriss

Você tem um sonho? Quer “chegar a algum lugar”? 

Talvez seu sonho seja escrever um livro, ter uma empresa, emagrecer 20kg, ter um blog ou canal de sucesso, falar outro idioma… na verdade, tanto faz. É quase certo que o seu sonho é algo que pode ser CONSTRUÍDO (a não ser que seu sonho de vida seja ganhar na mega-sena. Neste caso, tenho más notícias pra você). 

Eu falo muito em hábitos, em paciência, em “babysteps”… e vou seguir falando por muito tempo, por acreditar que um bom hábito é realmente a ferramenta que faz toda a diferença. 

Mas hoje, eu resolvi fazer diferente, e ensinar pelo exemplo. Não o meu exemplo, infelizmente, mas ainda assim, um ótimo exemplo. 

Senhoras e senhores, com vocês, Tim Ferriss: 

Tim é um cara único. Além de se auto-intitular “cobaia de laboratório humano”, ele é autor de cinco bestsellers (sendo que seu primeiro livro, “The 4-hour workweek” passou sete anos consecutivos entre os mais vendidos do New York Times), investidor anjo e conselheiro (de empresas como Facebook, Twitter e Evernote). Um currículo bem legal. 

Mas o mais impressionante nele, para mim, é a sua capacidade de EXECUÇÃO. E esta capacidade (segundo ele próprio) é 100% pautada em hábitos

Hoje, eu percebi o valor destes hábitos, e o quão longe um bom hábito pode te levar. 

Em 2014, Tim teve a ideia de começar um podcast. Um talk-show, onde ele poderia ter o pretexto ideal para entrevistar todo o tipo de gente que ele mais admira. Campeões mundiais, recordistas, investidores, empresários, atores, músicos… os melhores entre os melhores, estão lá. 

No programa, ele entrevista seus convidados de forma a tentar mapear o caminho das ferramentas, truques e táticas usados por eles para chegar aonde chegaram. 

Imagina você, criando um programa no qual a sua meta é entrevistar pessoas como Arnold Schwarzenegger, David Blaine, Vince Vaughn, Ricardo Semler, Derek Sivers, Jamie Foxx. Longe de parecer uma empreitada fácil?

Pois bem. Tim Ferriss fez isso. E transformou a ideia no Podcast mais ouvido de todos os tempos. 

Hoje, ao abrir o site do iTunes pra baixar o episódio desta semana, eu me espantei com o número. O episódio atual é o número 254!! 

(Estou escrevendo este post em Julho de 2017. Se você está lendo isso no futuro, sugiro que clique no link: https://itunes.apple.com/br/podcast/the-tim-ferriss-show/id863897795 - pra se espantar ainda mais, e refazer meus cálculos). 

 

Presta atenção: 

  • Tim começou o podcast no dia 18/04/2014
  • Hoje é dia 24/07/2017
  • Nestes (pouco mais de) 3 anos, ele lançou CONSISTENTEMENTE 254 episódios!
  • Eu parei pra fazer as contas: são 170 semanas
  • Ele lançou (na média) 1,5 episódios por semana - incluindo semanas de férias, natal, feriados e tudo o mais. 
  • Como se não bastasse, ele lançou um livro neste meio tempo (Tools of Titans)

O nome disso é CONSISTÊNCIA.

E isso é o que faz toda a diferença. 

Quer botar em prática? Então comece HOJE, e simplesmente NÃO PARE. É mais difícil do que parece, mas é possível. 

E eu vou tentar fazer o mesmo. 

 

Vamos falar sobre mim

Resolvi falar um pouco de mim mesmo
Pra variar um pouquinho
Afinal, eu sempre falo dos outros, e os sei descrever tão bem
Então, que tal uma descrição minha?

Este sou eu: brasileiro, mas de descendência europeia.
Aliás, ainda mantenho os traços dos meus ancestrais: por várias vezes já fui confundido com um "local", nos meus passeios pela Europa.
Tenho a pele branca, mas que ganha um bronzeado saudável nos primeiros contatos com o sol.
Já passei dos trinta, e minha saúde é de ferro. Não sei o que é ficar gravemente doente ou visitar um hospital por mais de meia hora.
Provavelmente, graças à minha boa alimentação e cuidados com o sono, e o acompanhamento constante de médicos e nutricionistas, claro.

Tenho 1,85 de altura, cabelos lisos e claros, e frequentemente sou elogiado pela bela cor azul dos meus olhos.
Por falar em elogios, estes nunca me faltaram, seja pela aparência física ou intelecto.
Aparência física nunca foi um problema para mim: sempre tive um corpo magro, com tendência a ressaltar meus músculos, que ganho com facilidade.
E poder comer de tudo, inclusive pizza e hambúrguer, sem engordar, também ajuda!
Sempre fui destaque em esportes, na escola, e coleciono medalhas de várias modalidades que já competi.

Ter destaque, aliás, é algo que eu me acostumei desde cedo. 

Minha eloquência também colaborou pra que eu sempre fosse alçado a posições de liderança nos trabalhos de escola ou faculdade.
Intelectualmente, posso dizer que estou melhor a cada dia.
Fui educado em escola bilíngue, sendo fluente em três idiomas aos 14. Aos 20, já falava seis línguas.
Viajar o mundo também ajudou. Além das varias visitas à Disney na infância, hoje conheço a cultura e costumes de mais de 20 países.
Entrei para minha primeira faculdade precocemente, aos 16, e hoje me preparo para o meu primeiro pós-doutorado, já sendo graduado com honras na melhor universidade da Europa.

Dinheiro nunca foi um problema.

Além de fazer parte de mais uma geração de uma família abastada, por parte de pai e mãe, logo cedo meus primeiros empreendimentos deram muito certo, e aos 21 já havia vendido minha primeira empresa por mais de dez milhões.
Adoro festas, e é com a minha diversão que mais invisto meu dinheiro.
Posso ser visto frequentemente em colunas sociais do mundo todo, devido aos meus hábitos de não economizar com a minha própria diversão.
Ou também, pelo meu outro hábito, de namorar modelos internacionais.
Apesar de festeiro, também sou ligado a trabalho, e passo todo o restante do meu tempo (quando não estou em festas) investindo em empresas e multiplicando meu patrimônio.

Amo minha família.
Sou filho único, fruto de um casamento longo e feliz.
Aliás, minhas cinco gerações anteriores foram todas assim: casamentos longos e felizes, e a média de idade dos meus antepassados é de quase 100 anos.

Esta é a minha vida, resumida. 

E aí? Já me odeia? 
Se sim.. é hora de se perguntar os porquês, e fazer uma análise de consciência.

Pessoas de estimação

Do ponto de vista moral, seres humanos são falhos. Talvez, porque a moral seja justamente um ponto de vista unicamente humano. Mas, enfim... São falhos, defeituosos.

Assim sendo, é perigoso demais eleger alguns humanos como "pessoas de estimação". 

Sabe do que tô falando, né? Não é transformar uma pessoa num pet, seu besta. E sim, eleger uma pessoa como perfeita, como um modelo à prova de falhas. 

O caminho para a decepção, neste caso, é certeiro.  

Seres humanos tem momentos de brilhantismo, e estes devem ser admirados, sim! Mas é, no mínimo, "inteligente" lembrar que a mesma pessoa que pratica um ato brilhante pode ter seus lados obscuros. E vice-versa!

O lado obscuro não tira o mérito do ato brilhante.  

O ato brilhante não apaga as falhas.  

 

Admirar os atos de alguém é diferente de idolatra-lo.  Julgar alguém idiota não quer dizer que nada bom saia dele. 

O mundo anda te desagradando?

Antes de termos internet, era mais raro nos depararmos com ideias contrárias às nossas.
Afinal, nós sempre escolhemos nossos círculos de amizade entre os nossos "comuns". Na escola, formávamos as "tribos" (isso é TÃO anos 90), de acordo com os gostos musicais, esporte ou estilos de vestir, e simplesmente ignorávamos os que não fossem iguais a nós. 

E vieram as redes sociais. 
O gosto musical do outro é jogado na nossa cara. Sua visão política, social, econômica. Tudo é tão próximo, tão real e tão explícito, e você não tem como fugir disso.

Diante disso, muitos seguem por dois caminhos distintos: os que se aproveitam dessas diferenças para construir valor, crescerem e serem maiores, mais fortes e mais completos. 
E os que agem como um animalzinho acuado, com medo: se escondem na casinha e latem o mais alto que podem. 

Tá tudo errado!

A letra da música tá errada.
As piadas, erradas.
O salário da Marta tá errado. 
O do Neymar também.
O Neymar, aliás, tá errado se ganha ou se perde.
A hamburgueria da Bel Pesce tá errada.
O presunto da Sadia tá errado.
O rapaz que pede ajuda tá errado.
E quem ajuda, também.
A Cléo Pires tá errada. 
A campanha tá errada. 
Close errado. 
A funkeira tá errada.
A banda de rock que se reuniu, tá errada. 
O disco novo deles, errado também.
O carnívoro tá errado.
O vegano tá errado, também. 

Este meu texto tá errado. Muito errado. 
Só você, pelo contrário, que está certo, né? 

Seu “Caga-regras”. 

(clique em "SHARE" e compartilhe com alguém que PRECISA ler isso) 

Fala direito, menino!

Eu sou cheio deles: vícios de linguagem. 

E naquela velha tentativa de melhorar a vida, um pouquinho por dia, eu resolvi dar um pouco de atenção à forma como eu me comunico verbalmente. 

O resultado? Descobri que minha fala é BEM mais viciada do que eu pensava. E eu também me diverti, fazendo um vídeo de poucos minutos e cheios de "éééé". 

E você? Tá melhorando que área da sua vida, no momento? 

O x da questão (ou: o mundo tá difícil?)

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acorde um pouco mais cedo
tome um banho um pouco mais frio
ligue pra um cliente a mais
escreva uma linha a mais
durma um pouco mais cedo
uma série a mais de agachamentos
cem metros a mais
pense um pouco mais
fique em silêncio, um segundo a mais
um capítulo a mais
um livro a mais
conheça-se um pouco mais
trabalhe uma hora a mais
deixe de fazer mais uma reclamação
enfrente um medo a mais
mais um beijo
mais um elogio
um minuto a mais
uma hora a mais
1% a mais
faça mais do que te faz bem
todos os dias

"não é o mundo que está duro.
é você que está mole"

Como "destravar" sua força de vontade

Nada como uma boa confissão, pra tentar livrar-se do peso de algo ruim guardado dentro de si. 

Eu cresci numa família católica. E uma das bases, aparentemente, de muitas vertentes do cristianismo é a confissão para remissão dos pecados. Pra quem não conhece o ritual do confiteor ("eu confesso", em latim), eu explico: 

Basicamente, trata-se de um momento de oração reflexiva. Ao invés de somente repetir uma reza tradicional, decorada, a igreja incute o fiel a meditar sobre seus próprios erros e falhas e, ao final disso, aí sim, repetir um texto tradicional que, em resumo, traz a culpa dos seus pecados para si mesmo. A expressão usada em latim, aliás, saiu da religião e hoje é usada pra várias coisas, e você já deve ter ouvido em algum lugar: "mea culpa". 

Não, não quer dizer MEIA culpa, como muitos usam por aí. "Fazer um mea culpa" é justamente admitir a culpa INTEIRA.

Aliás, na oração original, em latim, os fiéis batiam três vezes no peito, repetindo: 

mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa
(minha culpa, minha culpa, culpa toda minha) 

 

Segundo o cristianismo, somente o arrependimento pode trazer a evolução do espírito e a aproximação com a divindade. E para se arrepender, você precisa admitir que a culpa é sua, não é? 

Religião à parte, e por mais estranho que possa parecer àqueles que não seguem nenhuma religião (ou seguem outra diferente do catolicismo), essa prática do mea culpa pode te ajudar muito. E não se trata de nada religioso ou espiritual.

Trata-se de lógica, auto-conhecimento e, sobretudo, uma mudança positiva no modo de enfrentar o dia-a-dia. 

Pense comigo, fazendo um mea culpa: neste momento, na sua vida, dentro de tudo que te acontece, o que você tem, o que você sabe e tudo mais, o que NÃO é culpa inteiramente sua? 

Se a resposta for "nada é culpa minha", talvez você precise re-pensar. 

 
O homem superior atribui a culpa a si mesmo. O homem comum atribui aos outros. 
(Confúcio)

 

Hoje cedo, enquanto escrevia meu 'diário de 5 minutos', esta reflexão bateu forte. Eu pensava justamente sobre meus projetos, minhas falhas. 

Eu já admiti publicamente, no meu primeiro vídeo. Eu sou um procrastinador. Mea maxima culpa. 

O que me faz vencer isso, todos os dias, é simplesmente adotar alguns métodos, tentar driblar a mim mesmo e ao meu "piloto automático procrastinador", e simplesmente fazer as coisas. E mesmo assim, frequentemente eu acabo com algumas tarefas entulhadas, acumuladas. 

E por mais que seja gostoso e reconfortante jogar a culpa nos outros, pelo meu acúmulo de tarefas, a culpa é toda minha. 

Acumulo gera pendência, e pendência gera travamento. E o primeiro passo para seguir em frente é se livrar das pendências, que funcionam como âncoras. Se você tem 20 tarefas pela frente, realizar uma ou duas só te faz sentir mais impotente. Ao final delas, você ainda tem 18 ou 19 tarefas pela frente e a sensação de "não consegui fazer nada". 

Vou bater nesta tecla novamente: livre-se das pendências. Em negrito, itálico, com fonte grande e centralizado, pra ter mais impacto: 

Livre-se das pendências

 

A culpa de ter pendências é toda sua. Não do seu chefe. Não dos seus pais, seus filhos ou sua esposa. É das suas escolhas. Pode parecer cruel, mas é libertador viver assim. Pratique o mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa

Admitir que a culpa é sua por tudo que acontece na sua vida é mágico: destrava sua força de vontade. Quando você não tem mais em quem jogar a responsabilidade, só te resta sacudir a poeira e seguir em frente, com culpa e tudo. Vai lá, tenta!

 

E pra não dizer que te fiz pensar e te deixei na mão, terminei o texto sem nenhuma dica prática, aí vai: 

Prioridade não tem plural. Se você tem duas, tem nenhuma.

Defina UMA SÓ, e só pare quando conclui-la. Aí sim, defina a próxima e repita a operação.

Simples e difícil. 

 

 

Nota: pra quem quiser ler mais sobre a filosofia por trás deste tipo de pensamento, procure no Google por Sêneca, ou por estoicismo. Muita gente já escreveu sobre isso, inclusive alguns autores brasileiros, mas estas são minhas fontes favoritas.
Se quiser uma fonte "religiosa" sobre o assunto, mesmo discordando ou não sendo adepto ao espiritismo, eu recomendo a filosofia de Chico Xavier

Lembre-se de que você mesmo é o melhor secretário de sua tarefa, o mais eficiente propagandista de seus ideais, a mais clara demonstração de seus princípios, o mais alto padrão do ensino superior que seu espírito abraça e a mensagem viva das elevadas noções que você transmite aos outros. Não se esqueça, igualmente, de que o maior inimigo de suas realizações mais nobres, a completa ou incompleta negação do idealismo sublime que você apregoa, a nota discordante da sinfonia do bem que pretende executar, o arquiteto de suas aflições e o destruidor de suas oportunidades de elevação - é você mesmo. (Chico Xavier) 

Um bilhão de explosões

"O Big Bang foi uma grande explosão"
"Foram desviados 55 bilhões de reais"
"Quinhentas mil pessoas fizeram um protesto"

Não, este não é um artigo sobre astrofísica.
Muito menos sobre política.

O que estas frases têm em comum, além de serem repetições constantes na nossa vida, nos dias atuais?

Eu mesmo respondo: todos eles envolvem grandezas que não estamos acostumados a lidar. Aliás, são grandezas tão diferentes, pra todos nós, que é simplesmente impossível de se imaginar. E nossa mente sai correndo na tentativa de achar algo comparável, uma referência, algo parecido, pra que ela (nossa mente) não se sinta perdida com aquela grandeza. 

E é justamente aí que somos enganados. Por nós mesmos. 

       Você saberia dizer o tamanho da "explosão*" do Big Bang?  

       Já contou até um bilhão? 

       Já viu 500 mil pessoas juntas no mesmo lugar? 

As referências nos enganam, demais. E com grandezas similares ao lado, a tendência é depreciarmos o valor de algo que desconhecemos. 

Voltando ao Big Bang, por exemplo, certa vez eu ouvi uma palestra que dizia que um relato sobre a queda do World Trade Center (em 2001) falava em "um barulho ensurdecedor junto com um forte tremor de terra, similar a uma colisão frontal de dois trens à toda velocidade". 

Por si só, o locutor já usava uma comparação pra poder explicar o barulho que ouviu. Eu duvido que ele ou qualquer um de nós já tenha ouvido o som de dois trens colidindo. Seja bem devagarinho ou à toda velocidade - muitos de nós nem tem noção do tamanho (em metros) ou do peso de um trem. Mas era o melhor que ele pôde achar, naquele momento - a comparação facilita o entendimento e cria um colchão macio de certezas, pra que a história possa ser contada. 

O problema nesta comparação é que minimiza a real potência do som, ao trazer o fato pra uma comparação menor. Um trem carregado pesa, em média, 5.000 toneladas (o que já é bem difícil de se imaginar). O WTC tinha uma massa, segundo alguns cálculos, de 500.000 toneladas. Bem diferente, e bem mais difícil de se imaginar, não? 

Com o Big Bang, é comum falar em "explosão", porque é a forma de expansão de massa mais rápida e barulhenta que conhecemos. Mas qualquer cálculo sobre o Big Bang faz virar uma piada a maior explosão que você consegue imaginar. Quando você ouve falar em "explosão", já consegue até fazer uma imagem mental, de um espaço todo preto, com uma bolinha incandescente no centro. E, de repente, um "boom", junto com uma forte luz, e pedaços voando para todos os lados, com fogo e fumaça. Não é? 

E um bilhão? Sabe quanto é? 

Infelizmente, é comum ouvirmos falar de escândalos de corrupção envolvendo esta palavra: "bilhão". Ou em empresas vendidas e compradas por cifras que envolvem essa palavra, ou, muitas vezes, várias delas (enquanto eu escrevo isso o Facebook vale mais de US$300 bilhões). 

E veja só como nossa mente nos prega peças, quando não conseguimos medir o valor real de um número: 

Quando ouvimos que "fulano do partido A desviou 20 bilhões", as vezes também ouvimos "mas fulano do partido B desviou 200 milhões". Já ouviu isso? Parece que as grandezas são similares, não parece?

Outro exemplo: pra quem vai comprar o primeiro carro, mil reais é bastante dinheiro. E muitas vezes você faz a opção entre um ou outro carro por causa de um ou dois mil reais de diferença. Dois carros similares, um por 25 e outro por 27 mil. Qual você compraria? 

Mas se estivermos falando de carros na faixa acima de 100 mil reais, essa diferença é difícil de ser percebida. Se o carro A custa 100 mil, e o carro B custa 115 mil, a tendência é que você ache que os dois tenham "quase o mesmo preço", mesmo estando falando de quinze mil reais de diferença. Tudo fica relativo. 

Mas voltamos ao bilhão. Pra você ter uma ideia do que é um bilhão (só um), matematicamente, conte até mil. 

Vai levar um bom tempinho, não é? 

No começo, pra contar até cem, conseguimos pronunciar mais de um número por segundo. Quando chegamos em número mais extensos, do tipo "novecentos e cinquenta e nove", a tendência é que levemos mais de um segundo pra pronunciar cada um deles. 

Pra efeito de cálculo, vamos dizer que você consiga pronunciar um número por segundo, ok? Mesmo que seja 33.975.799.584 (tente pronunciar e veja o tempo que leva). 

Ok. Vamos aos cálculos: falando um número por segundo, você vai levar 999.999.999 segundos pra chegar à contagem de 1 bilhão (isso porque a contagem só começa a valer quando você fala o número 1). Fazendo a conversão, eu te desafio a fazer esta contagem: seguindo a média de um número por segundo (que é bem difícil), e se você não parar por nenhum segundo, vai levar: 

31 anos, 251 dias, 7 horas, 46 minutos e 40 segundos (melhor começar já). 

Não dá nem pra imaginar alguém contando por 31 anos seguidos, não é? Provavelmente você, que está lendo isso, nem tem ainda 31 anos de vida. 

Se levarmos para uma grandeza monetária, você consegue imaginar? Com 1 bilhão de reais, você pode retirar 1% dele ao ano (o que dá 10 milhões) e viver gastando R$833 mil reais por mês, durante 100 anos - e ainda vai sobrar troco. Dá pra sequer PENSAR em uma vida assim? 

Por fim, eu acho que discorrer sobre o último exemplo é insultar sua inteligência, não é? Você, com certeza, consegue ir atrás de informações sobre o que são 500.000 pessoas no mesmo local. Ou, esta imagem de (calculadamente) 500.000 pessoas em Moscou pode dar uma noção: 

 

Um bilhão de abraços pra você! 

 

*entre aspas porque a palavra "explosão" já é uma comparação - o Big Bang não foi, nem de perto, uma explosão

Dinheiro, dinheiro, dinheiro...

Quem se importa com dinheiro?? 

Apesar da baixa qualidade, por causa da nossa maravilhosa conexão de internet, o papo com o Conrado Navarro do Dinheirama foi absurdamente legal! 

Muitos pontos que eu defendo sempre, na Organizze, pontos que ele também vem defendendo há anos com o Dinheirama e que, com certeza, podem ajudar a melhorar a situação financeira de qualquer um. 

Se você gosta do seu bolso, assista. Sério!