Assistente Pessoal

Sabe esses sonhos que ficam guardados em um cantinho da sua memória? Não chegam a virar “metas”, de verdade. Você nem se lembra dele todos os dias. Mas quando lembra, sempre vem aquela sensação de “puuuutz, realmente isso seria MUITO BOM”.

Pois é, eu tenho um desses, há tempos: ter um assistente pessoal.

Isso começou há muito tempo, eu acredito que enquanto eu lia “Trabalhe 4 horas por semana”, do Tim Ferriss, na época em que eu empreendia pela primeira vez.
E, de tempos em tempos, essa ideia vem e vai.
Já passei por semanas a fio fazendo cálculos e mais cálculos, pra tentar encontrar -de verdade- esta pessoa e conseguir o dinheiro necessário pra pagar um salário decente a ela. E já passei por meses a fio sem nem sequer pensar nisso.

Eu cheguei a redigir como seria a minha “entrevista de emprego” para essa pessoa. Algo completamente não-convencional, que faça com que eu consiga enxergar cada ponto que eu ache mais importante em uma pessoa, usando perguntas e pequenas tarefas simples (porém capciosas). Se você ficou curioso, eu deixo a entrevista, na íntegra, no final deste post.

Hoje, por causa de um tweet, essa vontade se reacendeu. E eu resolvi pensar nos motivos que me levaram realmente a nunca ter contratado alguém com este cargo. E os motivos reais de eu querer alguém para ele.

Veja bem, eu já tive equipes. Mais de uma vez.
Minha agência de marketing, o Bistrô 6, chegou a ter 7 funcionários. Mas eles eram da equipe DA EMPRESA, e não minha. E isso faz muita diferença, pra mim.

Meu novo empreendimento, a Polyares, também já começa a se desenhar com uma equipe. E isso é fundamental pra mim, um dos pontos cruciais para o sucesso da empresa. Mas é a equipe da empresa, e não a minha própria.

Um assistente pessoal tem benefícios óbvios, se bem escolhido e bem treinado: economia de tempo. E este tempo poderia ser usado para multiplicar minha produtividade: escrever mais, ler mais, produzir mais e, sobretudo, ensinar mais.
Inclusive para a minha nova empresa, ter um assistente poderia reduzir muito a pressão burocrática sobre os meus ombros, me deixando livre pra fazer o que um CEO realmente precisa fazer: formar a melhor equipe possível, mantê-la feliz e manter dinheiro no caixa.

Mas existe também um benefício oculto. Não é só pelo tempo livre. Não é só pela produtividade.
Eu tive que pensar muito, e ser honesto comigo mesmo.

E o motivo não é algo que eu me orgulhe muito, é verdade:

A procrastinação.

Isso já aconteceu comigo outras vezes, e sempre funcionou. Toda vez que eu tenho alguém que está olhando pra mim, se inspirando em mim, eu sou a minha melhor versão.
A preguiça some, o foco reaparece. Eu sou produtivo, pró-ativo e criativo, como nunca, quando eu tenho alguém se espelhando em mim.

E aí entramos em outro motivo, que também me faz muito sentido:

Ensinar.

Eu já falei sobre isso em vários lugares. Aqui no blog, em vídeos e palestras: eu descobri que meu maior talento é ensinar. Aliás, descobri que ensinar é o meu Ikigai. A junção do que eu sou bom, com o que posso ser pago, com o que o mundo precisa e aquilo que eu amo.

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Ter uma empresa, pra mim, também é parte disso.

Nada me realiza tanto quanto formar uma equipe, poder aprender e ensinar ao mesmo tempo, com ela, e vê-la se tornar algo muito maior do que a soma das pessoas que estão ali. Muito maior do que eu possa jamais sonhar em ser.

Com um assistente pessoal, eu enxergo isso elevado ao quadrado. Poder ter alguém sedento de conhecimento, do meu lado, e poder despejar tudo o que eu tenho pra ensinar. Deixar a soma de curiosidade com conhecimento fluir solta, e assistir à transformação dessa pessoa. Já pensou, que sonho??

(Se você quiser me imaginar escrevendo isso, pense em uma pessoa digitando loucamente, com os olhos brilhando. Sou eu, imaginando esse cenário)

Mas nem tudo são flores. Eu sei.

Financeiramente, ainda não é tempo de eu realizar tal empreitada. Preciso lembrar da responsabilidade de ter essa pessoa que, no fim das contas, está trabalhando, prestando serviços.

E eu tenho uma máxima, que me acompanha desde muito cedo:

“Não dá pra pagar, eu mesmo faço.
Não dá pra fazer, deixa pra lá.”

Eu já vi empreendedores e celebridades fazendo “processo seletivo” para um assistente pessoal, com a clara intenção de não pagar pelos trabalhos. Isso simplesmente não é pra mim.

Veja bem, não é sobre “trabalhar de graça”.

Eu trabalharia de graça para as pessoas que eu sigo e admiro. Tim Ferriss, Seth Godin, James Altucher e tantos outros.. é só me chamar, que eu vou, agora. Pago pra ir, inclusive. Mas desde que a iniciativa parta de mim.

Minha resposta seria “não”, para qualquer proposta vinda em sentido contrário.

Assim sendo, eu decidi que isso não vai mais ser um sonho “de canto”. Oficialmente, acaba de virar um objetivo.
E se você se interessou, assina a newsletter ou me segue nas redes sociais, que eu vou ter um enorme prazer de tornar público quando eu realmente conseguir tornar isso realidade.

E se quiser ir se preparando (ou quem sabe pensar em um assistente pessoal pra você), ficam as perguntas e tarefas que eu pretendo aplicar aos meus candidatos:

PRÉ-REQUISITOS:

- Ter vontade de estudar outras línguas (inglês e espanhol, principalmente).
- Hábito de controlar as finanças pessoais.
- Gostar de ler. Livros.
- Aplicar a "low-information diet" na própria vida.
- Mínimo 4 horas diárias de disponibilidade exclusiva.

TESTE:

- Organizar uma pilha de cartas (de baralho) em 4 montes com a mesma quantidade de cartas.
- Ligar para uma pessoa desconhecida, se apresentar e fazer algum pedido.
- Organizar uma lista de tarefas do dia (mais tarefas do que caibam em um dia).
- Capacidade de seguir uma sequencia de instruções simples.
- Redigir um email demitindo alguém.
- Redigir um email pedindo dinheiro emprestado.
- Redigir um email se apresentando como meu assistente pessoal.
- Ir ao mercado com uma lista de compras. Tomar decisões e fazer mudanças de até R$50 nos produtos, sem me consultar, se julgar que é pra melhor.
- Definir a diferença de estratégico e operacional.
- Buscar três informações na internet (fácil, médio e difícil).
- Organizar uma mesa CHEIA de coisas.
- Pedir dinheiro emprestado, pessoalmente, a um conhecido.
- Pedir dinheiro emprestado, pessoalmente, a um desconhecido.
- Atender a um “reclamão” ao telefone.
- Encontrar três profissionais para tarefas específicas (freelance): design, programação, faxina.