Mais um tapa do Seth Godin (e esse doeu)

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Baseado no tempo em que a gente gasta se admirando no espelho, dando um trato nas nossas redes sociais, aquela finalizada na capa do nosso livro... dá pra se pensar que existe uma correlação entre as últimas horinhas gastas com embelezamento do nosso trabalho e os resultados que a gente tem dele.

Tem que ter... afinal, a gente gasta mais tempo se preocupando com a capa do que escrevendo o livro, mais energia respondendo aos haters do que servindo nossos melhores seguidores, mais dinheiro em base, corretivo e blush do que em comida saudável.

Mas é claro que, lendo isso, você percebe que a verdade não é essa.

Você não vai conseguir lembrar de ninguém que você começou a seguir porque a armação dos óculos dela estava em harmonia com o formato do rosto. Também não vai lembrar do último livro que você amou só porque a tipografia da capa era perfeita.

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Pro polimento final, 80% do trabalho já deve ser mais que o suficiente.

Acima disso, o trabalho tá sendo só por nós mesmos, e não por aqueles que nós procuramos servir.

(Traduzido do texto do Seth Godin, que vive me esbofeteando na cara)

Como "destravar" sua força de vontade

Nada como uma boa confissão, pra tentar livrar-se do peso de algo ruim guardado dentro de si. 

Eu cresci numa família católica. E uma das bases, aparentemente, de muitas vertentes do cristianismo é a confissão para remissão dos pecados. Pra quem não conhece o ritual do confiteor ("eu confesso", em latim), eu explico: 

Basicamente, trata-se de um momento de oração reflexiva. Ao invés de somente repetir uma reza tradicional, decorada, a igreja incute o fiel a meditar sobre seus próprios erros e falhas e, ao final disso, aí sim, repetir um texto tradicional que, em resumo, traz a culpa dos seus pecados para si mesmo. A expressão usada em latim, aliás, saiu da religião e hoje é usada pra várias coisas, e você já deve ter ouvido em algum lugar: "mea culpa". 

Não, não quer dizer MEIA culpa, como muitos usam por aí. "Fazer um mea culpa" é justamente admitir a culpa INTEIRA.

Aliás, na oração original, em latim, os fiéis batiam três vezes no peito, repetindo: 

mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa
(minha culpa, minha culpa, culpa toda minha) 

 

Segundo o cristianismo, somente o arrependimento pode trazer a evolução do espírito e a aproximação com a divindade. E para se arrepender, você precisa admitir que a culpa é sua, não é? 

Religião à parte, e por mais estranho que possa parecer àqueles que não seguem nenhuma religião (ou seguem outra diferente do catolicismo), essa prática do mea culpa pode te ajudar muito. E não se trata de nada religioso ou espiritual.

Trata-se de lógica, auto-conhecimento e, sobretudo, uma mudança positiva no modo de enfrentar o dia-a-dia. 

Pense comigo, fazendo um mea culpa: neste momento, na sua vida, dentro de tudo que te acontece, o que você tem, o que você sabe e tudo mais, o que NÃO é culpa inteiramente sua? 

Se a resposta for "nada é culpa minha", talvez você precise re-pensar. 

 
O homem superior atribui a culpa a si mesmo. O homem comum atribui aos outros. 
(Confúcio)

 

Hoje cedo, enquanto escrevia meu 'diário de 5 minutos', esta reflexão bateu forte. Eu pensava justamente sobre meus projetos, minhas falhas. 

Eu já admiti publicamente, no meu primeiro vídeo. Eu sou um procrastinador. Mea maxima culpa. 

O que me faz vencer isso, todos os dias, é simplesmente adotar alguns métodos, tentar driblar a mim mesmo e ao meu "piloto automático procrastinador", e simplesmente fazer as coisas. E mesmo assim, frequentemente eu acabo com algumas tarefas entulhadas, acumuladas. 

E por mais que seja gostoso e reconfortante jogar a culpa nos outros, pelo meu acúmulo de tarefas, a culpa é toda minha. 

Acumulo gera pendência, e pendência gera travamento. E o primeiro passo para seguir em frente é se livrar das pendências, que funcionam como âncoras. Se você tem 20 tarefas pela frente, realizar uma ou duas só te faz sentir mais impotente. Ao final delas, você ainda tem 18 ou 19 tarefas pela frente e a sensação de "não consegui fazer nada". 

Vou bater nesta tecla novamente: livre-se das pendências. Em negrito, itálico, com fonte grande e centralizado, pra ter mais impacto: 

Livre-se das pendências

 

A culpa de ter pendências é toda sua. Não do seu chefe. Não dos seus pais, seus filhos ou sua esposa. É das suas escolhas. Pode parecer cruel, mas é libertador viver assim. Pratique o mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa

Admitir que a culpa é sua por tudo que acontece na sua vida é mágico: destrava sua força de vontade. Quando você não tem mais em quem jogar a responsabilidade, só te resta sacudir a poeira e seguir em frente, com culpa e tudo. Vai lá, tenta!

 

E pra não dizer que te fiz pensar e te deixei na mão, terminei o texto sem nenhuma dica prática, aí vai: 

Prioridade não tem plural. Se você tem duas, tem nenhuma.

Defina UMA SÓ, e só pare quando conclui-la. Aí sim, defina a próxima e repita a operação.

Simples e difícil. 

 

 

Nota: pra quem quiser ler mais sobre a filosofia por trás deste tipo de pensamento, procure no Google por Sêneca, ou por estoicismo. Muita gente já escreveu sobre isso, inclusive alguns autores brasileiros, mas estas são minhas fontes favoritas.
Se quiser uma fonte "religiosa" sobre o assunto, mesmo discordando ou não sendo adepto ao espiritismo, eu recomendo a filosofia de Chico Xavier

Lembre-se de que você mesmo é o melhor secretário de sua tarefa, o mais eficiente propagandista de seus ideais, a mais clara demonstração de seus princípios, o mais alto padrão do ensino superior que seu espírito abraça e a mensagem viva das elevadas noções que você transmite aos outros. Não se esqueça, igualmente, de que o maior inimigo de suas realizações mais nobres, a completa ou incompleta negação do idealismo sublime que você apregoa, a nota discordante da sinfonia do bem que pretende executar, o arquiteto de suas aflições e o destruidor de suas oportunidades de elevação - é você mesmo. (Chico Xavier)