Mais um tapa do Seth Godin (e esse doeu)

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Baseado no tempo em que a gente gasta se admirando no espelho, dando um trato nas nossas redes sociais, aquela finalizada na capa do nosso livro... dá pra se pensar que existe uma correlação entre as últimas horinhas gastas com embelezamento do nosso trabalho e os resultados que a gente tem dele.

Tem que ter... afinal, a gente gasta mais tempo se preocupando com a capa do que escrevendo o livro, mais energia respondendo aos haters do que servindo nossos melhores seguidores, mais dinheiro em base, corretivo e blush do que em comida saudável.

Mas é claro que, lendo isso, você percebe que a verdade não é essa.

Você não vai conseguir lembrar de ninguém que você começou a seguir porque a armação dos óculos dela estava em harmonia com o formato do rosto. Também não vai lembrar do último livro que você amou só porque a tipografia da capa era perfeita.

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Pro polimento final, 80% do trabalho já deve ser mais que o suficiente.

Acima disso, o trabalho tá sendo só por nós mesmos, e não por aqueles que nós procuramos servir.

(Traduzido do texto do Seth Godin, que vive me esbofeteando na cara)

Ari, o grande.

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Aristóteles, aquele lá da Grécia, há mais de 2.300 anos, dizia que:

“o homem adquire virtude pela repetição dos hábitos”.

Grande cara, esse Ari.

Já parou pra pensar sobre o que ele estava falando? Pensa aí.

Seu caráter é definido pelos seus valores. E seus valores são resultado do seu comportamento.

Por exemplo: se o seu comportamento é sempre dizer a verdade, você adquire a verdade como um valor. E aí, você se torna uma pessoa honesta (caráter).

Não dá pra inverter isso, né? Você começa dizendo pra si mesmo (e para os outros) que é honesto, e aí, um dia, começa a enxergar a verdade como um valor. E depois disso, como mágica, você para de dizer as mentirinhas e começa a falar a verdade.

Não dá.

Comportamento sempre vem primeiro, mesmo que ele ande na contramão do caráter.

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O Ari concordava comigo (haha). Ele dizia que não existe a tal “virtude inata”. Aquele ser humano que simplesmente “nasce iluminado”, que já é virtuoso desde o berço.

Pra ele (e pra mim), o caráter é construído pela repetição dos atos. Os atos geram hábitos (que ele chamava de “costumes”), e os hábitos viram virtudes. As “virtudes de caráter” são desenvolvidas pela educação, prática e hábito.

Curioso, né?

Educação, prática e hábito.

Você aprende algo, lendo um livro, vendo um vídeo ou fazendo um curso.

Você coloca o conhecimento em prática, testando aquilo que aprendeu, falhando, começando de novo, testando.

Você repete a prática com consistência, todo santo dia, sem dar desculpas, até que aquilo vire parte de você.

Basicamente, são só essas 3 coisas que separam quem você é hoje de quem você quer ser.

Não é uma fórmula mágica, é um processo repetitivo, cansativo e, muitas vezes, bem chato, esse de mudar. Mas é o jeitinho que funciona desde 300 a.C. - provavelmente vai funcionar pra você também.



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E ainda sobre o Ari… ele dizia uma outra coisa, bem bacana:

“das virtudes não se deve desviar nem por defeito, nem por excesso, pois a virtude consiste na justa medida: longe dos dois extremos”.


O Ari sabia das coisas.

Como ser simplesmente F#DA - A lógica da ameaça dupla

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Há alguns tempos eu tive contato com um conceito que revolucionou muito do que eu achava sobre “ser bom” e “ter sucesso”. E eu venho compartilhando este conceito em minhas palestras e eventos que eu participo, sempre que possível. 

Eu comecei a observar, depois de ter aprendido este conceito, que as pessoas mais bem sucedidas não são, necessariamente, aquelas que fazer parte do “um por cento”. Aqueles desvios da média, que são absolutamente brilhantes em UM ofício. 

Nossa tendência é achar que as pessoas mais brilhantes, aliás, são aquelas que possuem um tipo de super-poder supremo. Que Steve Jobs, Neymar, Silvio Santos ou Warren Buffett são o que são por serem especialistas magníficos em seus ofícios. Mas esta análise pode fazer você repensar nisso. 

Este conceito me foi apresentado por um dos meus autores favoritos, Scott Adams (o criador da famosa tirinha “Dilbert”), e depois acabei descobrindo que ele aprendeu este conceito com o famoso investidor Marc Andressen (e eu não faço ideia de onde o Andressen tirou isso). 

Marc Andressen

Marc Andressen

Scott Adams e Dilbert

Scott Adams e Dilbert

 

Pois bem, vamos ao conceito:

Uma ameaça fraca faz uma coisa, relativamente (ou até muito) bem.
Uma ameaça dupla faz duas coisas, relativamente bem. 
Uma ameaça tripla faz três coisas, relativamente bem. 

Sacou?? 

Andressen, aliás, diz que essa é a “fórmula para se tornar um CEO”. 

Um exemplo prático: muita gente faz MBA’s certo? O que significa que, se você é um bom administrador e tem um MBA, pode ser substituído por outro administrador com MBA (os seus colegas de turma, por exemplo). 

Entretanto, se você tem um MBA mas também sabe programar, parabéns! Você é uma ameaça dupla!

Sabe aquela pessoa da sua empresa que é carismática, formada em uma área, mas também manja de algumas outras coisas?
Pode ser o cara do marketing, que também edita uns vídeos e dá jeito no CSS do site da empresa, quando dá erro. 
Ou a menina do design, que é carismática como ninguém e ajuda a fechar negócios para o comercial, além de palestrar em nome da empresa. 

Pois estas pessoas são ameaças triplas! Como você substitui este tipo de profissional? Os conhecimentos em áreas diferentes fazem com que eles se tornem ambos: valiosos e interessantes. E mais difíceis de serem comparados.

Isso se reflete, inclusive, nas suas vidas pessoais. Ameaças duplas (ou triplas) acabam se tornando pessoas interessantes de se manter por perto, se tornam assunto nas conversas e acabam por receber os melhores convites para parcerias, trabalho, e até diversão. 

Mas entenda que se matricular em outra faculdade, para uma segunda graduação, nem sempre é o melhor caminho (geralmente, não é). Suas novas “ameaças” podem ser habilidades que você adquire em nível técnico, com cursos mais curtos, ou sendo auto-didata (a internet é repleta de cursos baratos e bons) ou, a melhor forma, praticando novas habilidades. 

Muitas vezes, conceitos que você aprendeu sem saber o motivo podem te ajudar muito, no futuro. Então nunca recuse-se a aprender algo novo.
Se quiser uma segunda opinião sobre isso, ouça a do Steve Jobs. No seu famoso discurso de formatura para a turma de Stanford de 2005, ele cita que, durante a faculdade, fez aulas de caligrafia, sem ter a menor ideia de como usar aquilo no futuro. E acabou por incorporar aqueles conceitos no design no Macintosh, anos depois, e é por conta disso que hoje podemos escolher fontes bonitas pra usar no computador. 

Outro exemplo, me permita, é o meu: Eu sou formado em administração de empresas com habilitação em marketing. Na minha turma de faculdade, vários seguiram o mesmo caminho. Administradores com ênfase em marketing. Todavia, as habilidades que me tornam único foram aquelas que eu aprendi fora das universidades:

Aos 16 anos, eu trabalhei de graça em uma empresa de serigrafia para aprender a “mexer no Corel Draw e no Photoshop”. Essa habilidade conquistada lá na adolescência - só pra citar uma - me abriu diversas portas durante toda a minha vida profissional. Desenvolver habilidades em design me ajudou a enxergar processos, a ter senso estético e, inclusive, a trabalhar com designers. Isso me dá uma segunda ameaça: um administrador que entende de design! 

Durante a minha vida, especialmente após a faculdade, eu me dediquei a aprender como falar melhor em público (ter sido professor de inglês ajudou muito nisso, também). Quando eu abri meu segundo negócio, uma agência de marketing online (numa época em que as empresas diziam “Ter página no Facebook? Pra quê???”), ter a habilidade de palestrar e convencer o público de que minhas ideias eram bons caminhos para suas empresas, me ajudou a fazer o negócio ter os primeiros clientes.
E acabou por se tornar a coisa que eu mais gosto de fazer, atualmente: palestrar. 
A terceira ameaça: um administrador, que entende de design e sabe falar bem em público. 

E, se você chegou até aqui, neste texto, pode estar se perguntando “e eu com isso?”, ou até achando que eu fiz este texto pra contar vantagem. 

Na verdade, eu escrevo para ajudar empreendedores a serem melhores pessoas e, por consequência, terem melhores empresas. E uso exemplos que aplico na minha própria vida, pra isso.
Mas, se for pra tirar vantagem, vamos à uma quarta ameaça: se você leu até aqui, significa que eu sou um administrador, que entende de design, fala bem em público e escreve de uma forma que você gostou de ler. Peguei você!

Mas, como eu disse, não era esta a intenção… não fique bravo(a) comigo. Eu tenho coisas boas pra você. 

Você também pode ser uma ameaça dupla! Tripla! Quádrupla! E isso não tem nada a ver com você perder o foco do seu trabalho atual ou da sua missão de vida - são novas habilidades que vão te ajudar justamente a andar melhor com a vida que você já tem hoje!

Seguindo o conselho do Warren Buffett (também uma ameaça dupla: entende muito de investimentos e é um excelente orador), eu acredito que você deva começar melhorando sua comunicação. 

Um cursinho de oratória é algo relativamente simples para a maioria das pessoas (a não ser que você seja patologicamente tímido, caso no qual eu recomendo a psicologia para te ajudar), você pode fazer pequenos cursos (inclusive online) e aprimorar essas habilidades, oferecendo palestras sobre a sua profissão para escolas e universidades, gratuitamente. 

E quem sabe, aprender, mesmo que em nível básico, conceitos de programação, design, marketing… com certeza tem algo que você pode se interessar, e duplicar o seu poder de ameaça.


Até semana que vem!

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Vamos falar sobre mim

Resolvi falar um pouco de mim mesmo
Pra variar um pouquinho
Afinal, eu sempre falo dos outros, e os sei descrever tão bem
Então, que tal uma descrição minha?

Este sou eu: brasileiro, mas de descendência europeia.
Aliás, ainda mantenho os traços dos meus ancestrais: por várias vezes já fui confundido com um "local", nos meus passeios pela Europa.
Tenho a pele branca, mas que ganha um bronzeado saudável nos primeiros contatos com o sol.
Já passei dos trinta, e minha saúde é de ferro. Não sei o que é ficar gravemente doente ou visitar um hospital por mais de meia hora.
Provavelmente, graças à minha boa alimentação e cuidados com o sono, e o acompanhamento constante de médicos e nutricionistas, claro.

Tenho 1,85 de altura, cabelos lisos e claros, e frequentemente sou elogiado pela bela cor azul dos meus olhos.
Por falar em elogios, estes nunca me faltaram, seja pela aparência física ou intelecto.
Aparência física nunca foi um problema para mim: sempre tive um corpo magro, com tendência a ressaltar meus músculos, que ganho com facilidade.
E poder comer de tudo, inclusive pizza e hambúrguer, sem engordar, também ajuda!
Sempre fui destaque em esportes, na escola, e coleciono medalhas de várias modalidades que já competi.

Ter destaque, aliás, é algo que eu me acostumei desde cedo. 

Minha eloquência também colaborou pra que eu sempre fosse alçado a posições de liderança nos trabalhos de escola ou faculdade.
Intelectualmente, posso dizer que estou melhor a cada dia.
Fui educado em escola bilíngue, sendo fluente em três idiomas aos 14. Aos 20, já falava seis línguas.
Viajar o mundo também ajudou. Além das varias visitas à Disney na infância, hoje conheço a cultura e costumes de mais de 20 países.
Entrei para minha primeira faculdade precocemente, aos 16, e hoje me preparo para o meu primeiro pós-doutorado, já sendo graduado com honras na melhor universidade da Europa.

Dinheiro nunca foi um problema.

Além de fazer parte de mais uma geração de uma família abastada, por parte de pai e mãe, logo cedo meus primeiros empreendimentos deram muito certo, e aos 21 já havia vendido minha primeira empresa por mais de dez milhões.
Adoro festas, e é com a minha diversão que mais invisto meu dinheiro.
Posso ser visto frequentemente em colunas sociais do mundo todo, devido aos meus hábitos de não economizar com a minha própria diversão.
Ou também, pelo meu outro hábito, de namorar modelos internacionais.
Apesar de festeiro, também sou ligado a trabalho, e passo todo o restante do meu tempo (quando não estou em festas) investindo em empresas e multiplicando meu patrimônio.

Amo minha família.
Sou filho único, fruto de um casamento longo e feliz.
Aliás, minhas cinco gerações anteriores foram todas assim: casamentos longos e felizes, e a média de idade dos meus antepassados é de quase 100 anos.

Esta é a minha vida, resumida. 

E aí? Já me odeia? 
Se sim.. é hora de se perguntar os porquês, e fazer uma análise de consciência.

Pessoas de estimação

Do ponto de vista moral, seres humanos são falhos. Talvez, porque a moral seja justamente um ponto de vista unicamente humano. Mas, enfim... São falhos, defeituosos.

Assim sendo, é perigoso demais eleger alguns humanos como "pessoas de estimação". 

Sabe do que tô falando, né? Não é transformar uma pessoa num pet, seu besta. E sim, eleger uma pessoa como perfeita, como um modelo à prova de falhas. 

O caminho para a decepção, neste caso, é certeiro.  

Seres humanos tem momentos de brilhantismo, e estes devem ser admirados, sim! Mas é, no mínimo, "inteligente" lembrar que a mesma pessoa que pratica um ato brilhante pode ter seus lados obscuros. E vice-versa!

O lado obscuro não tira o mérito do ato brilhante.  

O ato brilhante não apaga as falhas.  

 

Admirar os atos de alguém é diferente de idolatra-lo.  Julgar alguém idiota não quer dizer que nada bom saia dele.